O experimento III tem o objetivo de testar as possibilidades de como as questões levantadas na pesquisa interferem e modificam o nosso corpo.
Fomos para a sala e a partir de comandos de ações feitos por Diego Mac* (recente colaborador da pesquisa que tem o intuito de nos ajudar a levantar possibilidades e esclarecer algumas questões), começamos a seguinte brincadeira:
Caminha / Troca lâmpada / Caminha / Troca lâmpada /
Caminha / Come salgadinho / Caminha / Come salgadinho /
Caminha / Come salgadinho /
Caminha / Troca a lâmpada no street dance
Caminha / Troca a lâmpada na dança contemporânea /
Caminha / Come salgadinho no street dance /
Caminha / Come salgadinho na dança contemporânea /
Logo após este momento, outro exercício de sugestões de movimentos foi realizado com a intenção de desenvolver uma célula crua, ou seja, sem estar vinculada a qualquer segmento da dança. Segue a ordem:
Pequena volta
Um salto
Pequena volta + um salto
Passar pelo chão
Movimento rápido com a cabeça
Movimento rápido com o braço
Pequena volta + um salto + passar pelo chão + movimento rápido com a cabeça + movimento rápido com o braço.
Muda a direção do corpo
Uma volta com o quadril
Pequena volta + um salto + passar pelo chão + movimento rápido com a cabeça + movimento rápido com o braço + muda a direção do corpo + movimento livre + uma volta com o quadril
Após todas estas ações, tínhamos uma sequência coreográfica “crua” e a utilizamos para analisar como o corpo se comporta em diferentes espaços. Com isso, passamos a brincar com esta célula da seguinte maneira:
Dando continuidade a primeira brincadeira, do troca lâmpada e come salgadinho, nos perguntamos: Como seria esta célula crua no street dance?
Primeira proposta: cinco tentativas para transformar a célula crua em street dance.
Segunda proposta: como seria esta célula já transformada em street dance, transformada em dança contemporânea?
Terceira proposta (e última): foi proposto pelo Diego, que um de nós lembrasse de uma célula coreográfica criada e desenvolvida especificamente no espaço das street dances e experimentasse como seria esta célula na dança contemporânea.
Ao final dos experimentos, analisando os vídeos e conversando sobre, percebemos algumas alterações na forma de pensar a dança. No como o corpo comporta-se diferente quando o imaginário é levado a um determinado espaço. Como a qualidade de movimento é modificada, como a atitude muda, a respiração, o peso. A partir de imagens constituídas, clichês e inúmeras outras informações que não reconhecemos neste primeiro momento.
Brincar com estas qualidades e possibilidades despertaram mais uma questão que, talvez, mereça uma grande atenção nos próximos experimentos.
*Que som teria uma determinada célula?
*Que som eu associaria àquele movimento?
Agora partimos de vez para procedimentos mais práticos, abrindo janelas para experimentações diversas que venham a revelar cada vez mais possibilidades de relação entre corpo e som, a partir do street dance, a partir da dança contemporânea.
Estamos em um momento de desestabilizar tudo o que levantamos até o momento. Misturar tudo, recortar partes e colar no corpo, dialogar e abrir o corpo para as questões que movem esta pesquisa desde seu início, as que surgiram durante o processo e outras que virão a partir destes e dos próximos experimentos.
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* Graduado em Dança, especialista e mestrando em Poéticas Visuais (UFRGS/CAPES). Desenvolve pesquisas poético-teóricas em dança e na relação desta com a imagem, o som e as novas tecnologias, através de investigações videocoreográficas. É diretor, coreógrafo e bailarino do Grupo Gaia – Dança Contemporânea e diretor de visualidades e sonoridades da Muovere Cia. de Dança.










